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O cérebro e suas ideias

Um cérebro humano tem cerca de 86 bilhões de neurônios, e isso faz de mim, eu e de você, você. Ou seja, esse tecido nos modula como indivíduos, define o que conhecemos, o que fazemos, o que vivemos e o que somos. Ciência, tecnologia, engenharia, artes, matemática… Todas as ideias surgiram por conexões entre essas células em diferentes cérebros. Por meio delas também foi inventada a linguagem e, mais tarde, a escrita, que possibilitou anotar o que algum cérebro pensou um dia e, assim, eternizou memórias. Dessa forma, pela leitura, outros cérebros têm acesso a antigas reflexões e não precisam mais pensar o que já foi pensado, o que abre caminho a ideias cada vez mais elaboradas.

Essa infinitude de possibilidades do cérebro é uma característica puramente humana, afinal, não vemos formigas nem chimpanzés construindo foguetes e escrevendo poemas, embora ambos tenham cérebros. E a razão disso não figura somente no tamanho dos respectivos órgãos, já que elefantes e baleias têm cérebros maiores do que o dos humanos e, ainda assim, também não realizam tais feitos. O que define a capacidade cognitiva da criatura é a quantidade total de neurônios, e existe uma delicada relação entre o tamanho do encéfalo e sua densidade neural, capaz de permitir que uns se sobreponham a outros. É como comparar dois panetones: por fora parecem iguais, mas, quando cortamos uma fatia de mesmo tamanho de cada um deles, percebemos que a fatia do primeiro panetone contém muito mais frutas do que a fatia do segundo. Concluímos, então, que o primeiro panetone tem uma densidade de frutas maior. Se cortarmos duas fatias iguais, uma de um cérebro humano e outra do cérebro de uma baleia, e contarmos a quantidade de neurônios em cada uma delas, chegaremos a um resultado parecido com o do experimento do panetone: tem mais neurônios na fatia de cérebro humano, ou seja, nele, a densidade de neurônios é maior.

Mas essa característica, digamos, tecnológica que nos faz inteligentes tem um alto custo. Mesmo pesando menos de 2% da massa total do corpo, o cérebro consome 25% da energia que obtemos dos alimentos. Isso explica o porquê de os outros primatas, mesmo tendo uma densidade de neurônios parecida com a nossa, não terem desenvolvido cérebros maiores a ponto de tornarem-se tão espertos quanto nós. Eles não conseguem ingerir tanta caloria num único dia. Nossos ancestrais comuns só conseguiram essa disponibilidade calórica quando passaram a cozinhar os alimentos, o que lhes permitiu extrair muito mais energia deles. Foi o ponto de ruptura entre hominídeos animalescos com cérebros de baixa densidade neural e o Homo sapiens. Mantemos isso até hoje com nossas refeições diárias, um preço que eu e você pagamos para termos boas ideias.

Daniel Angelo – Ciência em Show

2 comentários sobre “O cérebro e suas ideias

  1. Excelente texto, meu amigo!! Tá aí um cara com uma densidade bem considerável de frutas no panetone!! Grande abraço!

  2. Assim como o corpo necessita de alimentação saudável, o cérebro tambem precisa ser nutrido de bons conteúdos, pensamentos positivos para um bom equilíbrio.

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