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Química para salvar suas selfies

A pele é o maior órgão do nosso corpo. Se tirassem toda a pele de um ser humano de tamanho médio, sua área seria de aproximadamente 2 m2, o equivalente à quantidade de tecido necessária para revestir duas almofadas grandes. Claro que ninguém vai usar pele humana para isso, né?! Dentre outras, a pele tem uma importância estética, especialmente a pele do rosto. E é justamente o rosto a parte do corpo que fica mais exposta ao ambiente ao longo da vida e, portanto, tem a pele mais “danificada”. Na hora da selfie… Tudo aparece! Muitos aplicativos dispõem de correções automáticas e embelezadores para que as selfies fiquem melhores, mas não vivemos só de fotos e tem gente que recorre a dermatologistas que indicam tratamentos para melhorar a sua aparência, como o peeling. Ele promete diminuir suas rugas, acabar com manchas e deixar a pele com uma cor mais uniforme. Esse procedimento é usado também para atenuar linhas de expressão e ainda para combater alguns tipos de acne e cicatrizes.

Existem, basicamente, três tipos de peeling: o químico, o de diamante e o de cristal. A principal diferença entre eles é que o de diamante e o de cristal são mecânicos, ou seja, funcionam mais ou menos como lixas, removendo camadas de células pela ação de um abrasivo. Já o peeling químico, é químico mesmo, ou seja, em vez de abrasivos, usa ácidos, como o ácido salicílico, o glicólico, o retinóico etc. A função desses ácidos é retirar as camadas mais externas da pele do rosto, estimulando o crescimento de novas células. Após o processo, a “pele nova” tem uma aparência mais jovem do que a antiga.

Os peelings químicos mais profundos atingem parte da derme – camada abaixo da epiderme onde ficam as raízes dos pelos – e por isso são procedimentos cirúrgicos que exigem preparo, anestesia e acompanhamento médico, e o tempo de recuperação varia entre 14 e 21 dias. Para outras formas mais brandas, que retiram apenas células da epiderme – aquela camada mais superficial que é coberta por queratina -, o tempo de recuperação é de até 7 dias.

Depois de um peeling químico mais suave, a pele fica parecendo a de um turista desprevenido no Rio de Janeiro que acabou com queimadura solar. Após alguns dias, a pele vai descascar expondo a nova camada de células. Daí vem o nome peeling do procedimento: to peel é o verbo descascar em inglês! O peeling químico retira parte da queratina, que é a proteína que protege a pele, e algumas células também. Por isso, ela fica muito sensível e é fundamental usar filtro solar adequado após o procedimento, conforme indicação médica.

Um efeito colateral do peeling químico pode ser o escurecimento da pele de pessoas mais claras e o clareamento da pele em pessoas de pele mais escura. Aliás, quanto mais escura a pele, maior a chance de complicações, como queloides, um crescimento acentuado de tecido que pode se formar durante a cicatrização.

Então, se estiver realmente interessado em um peeling químico para conseguir lindas selfies naturais, consulte um dermatologista experiente.

Helena Pacca e Daniel Angelo – Ciência em Show

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Entendendo o coronavirus e a Covid-19

COMO ACONTECEU?

Em novembro de 2019 alguém na China se infectou por um vírus novo e contraiu uma doença respiratória, até então, desconhecida. Esse é o chamado paciente zero. Acredita-se que seja um homem de 55 anos, mas até agora (20 de março de 2020) ainda não se sabe quem é. Encontra-lo ajudaria os cientistas a entenderem mais sobre o vírus e a doença e, assim, elaborar formas mais eficientes de combate. Presume-se que esse paciente possa ter contraído o vírus de um morcego, ingerindo ou manipulando o mamífero voador, que é um hospedeiro natural de vírus desse tipo.

“NOME AOS BOIS”

Quando se descobre um vírus, ele recebe um nome de abrangência internacional, para que todos no mundo possam estudar, comunicar e tratar o assunto de maneira objetiva e sem erros ou confusões. Quem cuida dessa nomenclatura é uma organização chamada Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus. O vírus causador dessa pandemia, inicialmente chamado de novo coronavirus, agora chama-se Sars-CoV-2, esse é o seu nome oficial. Ele causa uma doença respiratória, todos nós já sabemos disso, e essa doença também já tem nome, chama-se covid-19. Então, ao se referir à doença, o correto é dizer: “aquela pessoa está com a covid-19”. E ao se referir ao vírus, pode-se dizer: o vírus que causa a covid-19 chama-se Sars-CoV-2.

COMO SE CONTAMINA?

Quando espirramos ou tossimos, pequenas gotículas de saliva vão para o ar e estacionam nos objetos do dia a dia, como mesas, balcões, livros, espelhos, corrimãos, travesseiros, comida… Sem falar que o tempo todo, sem perceber, a gente acaba colocando as mãos na boca e no nariz, seja para dar aquela coçadinha, seja para conter um espirro. E aí a mão vai para a maçaneta, para o celular, para a caneta, para o volante do carro, para as barras de apoio do ônibus, para as mãos de outra pessoa num aperto de mãos… Assim, pessoas contaminadas espalham vírus por toda parte, involuntariamente, já que o vírus se encontra na saliva e na secreção do nariz. Uma pessoa sadia que interage com esses objetos acaba ficando com vírus nas mãos. Adivinhe o que acontece quando, mesmo sem querer, essa mão cheia de vírus vai para os olhos, boca ou nariz? Isso mesmo, o vírus entra no corpo.

É por isso que as máscaras são mais importantes para as pessoas doentes do que para as sadias, porque evita que as secreções cheias de vírus passem para objetos que outras pessoas vão usar.

POR QUE ALGUÉM COM COVID-19 DEVE FICAR EM CASA?

Se você está contaminado, ficando em casa, evita que os vírus que estão em você se depositem em lugares públicos onde outras pessoas vão circular. Lógico, considerando que você seja um paciente com sintomas leves, pois se tiver com dificuldade de respiração ou qualquer outro sintoma mais grave, deve estar internado num hospital com cuidados profissionais.

POR QUE PESSOAS SADIAS DEVEM FICAR EM CASA?

Se você não está contaminado, ficando em casa você evita duas coisas: a primeira delas é se contaminar pela interação com outra pessoa doente ou com objetos contaminados. Em segundo lugar, você evita ser um agente de transporte do vírus. Imagina que você está sadio, sem vírus, e pega num objeto qualquer com contenha o vírus, por exemplo, um bebedouro do shopping. No passeio, você encontra um amigo, cumprimenta com um aperto de mãos e um abraço. Lembre-se que, sem saber, sua mão está cheia de vírus. Você vai ao banheiro e faz uma boa lavagem das mãos com água e sabão e se livra do vírus, sem se contaminar. Mas seu amigo, depois de te encontrar, compra um sorvete e acaba dando uma lambidinha nos dedos. Sabe aquele aperto de mãos? Então, os vírus passaram para as mãos dele e ele se contaminou ao lamber os dedos. E o pior é que ele vai contaminar outras pessoas também.

Percebe como uma interação social comum e corriqueira ajudou o vírus a se proliferar? Você não se contaminou, mas ajudou o vírus a encontrar alguém para causar a doença. Por isso todos que puderem devem ficar em casa.

QUANTO MATA?

Tudo é muito novo e os dados mudam o tempo todo, pois estamos no meio de uma nova pandemia, mas o último dado disponível (19/03/2020), compilado pela Organização Mundial da Saúde, indica que, no mundo, a taxa de mortalidade é de 4,19%, ou seja, a cada 96 pessoas infectadas, 4 morrem. Sabe-se também que a maioria dos mortos tinham mais de 60 anos de idade, ou seja, a doença é muito mais perigosa para os idosos. Mas há diferenças quando vemos os dados separados dos países. Na Itália, a mortalidade está em 8,3% e na Coreia, 1%. No caso do Brasil a mortalidade está em 1,2% (dados de 20/03/2020), mas o país ainda está no início dos contágios e, por isso, a porcentagem de mortos ainda é muito baixa. Os outros países já estão em fase mais avançada da pandemia.

O QUE É A CURVA DO CORONAVIRUS?

Depois de instalada a doença no país, ocorre a transmissão de pessoa para pessoa. Pode haver muita transmissão ou pouca transmissão, mas é impossível que ela não ocorra. Quando um país toma medidas rápidas e baseadas na ciência, menos pessoas se contaminam. Pelo contrário, se os governantes não implementam práticas eficazes, muito mais pessoas se contaminam. A curva do coronavirus é um gráfico que indica quantas pessoas se contaminam com o passar do tempo. Quanto mais elevada a curva, sinal de que a epidemia está fora de controle. Infelizmente, por ora (20/02/2020), o caso do Brasil está parecido com o da Itália, que é um dos piores do mundo. Porém, é possível reverter essa situação. A Coreia também iniciou a epidemia com crescimento muito acelerado, com a curva do gráfico subindo rápido, mas ações rápidas fizeram a situação se reverter drasticamente.

O Brasil encontra-se numa posição favorável para o combate à doença porque está entre os últimos países do mundo onde o vírus chegou, ou seja, o Brasil pode se basear em muitos dados científicos e nas experiências que deram certo em outros lugares. Basta tomar medidas corretas.

Gráfico simplificado exibido pelo programa Fantástico da Rede Globo mostra dois tipos de curva do coronavirus. As MEDIDAS DE PROTEÇÃO são ações para prevenir novas infecções, como o isolamento social.

QUANTO TEMPO O VIRUS DURA LONGE DO CORPO?

Quando o vírus Sars-CoV-2 está sobre a superfície dos objetos que usamos no dia a dia ele ainda pode contaminar uma ou várias pessoas. No entanto, ele acaba se desintegrando com o passar do tempo. O tempo em que o vírus fica estável numa determinada superfície depende do seu material e abaixo seguem alguns dados já descobertos pelos cientistas:

Plástico e aço inox: o vírus sobrevive por até 72 horas

Papel e papelão: o vírus sobrevive por até 24 horas

Cobre: o vírus sobrevive por até 4 horas

Poeira: o vírus sobrevive por até 2 horas e meia

DETERGENTE E ALCOOL GEL

O álcool eficiente para a limpeza e desinfecção das mãos é o de graduação 70%, que é o álcool capaz de destruir o envelope do vírus e inviabilizá-lo. Se usar álcool de maior graduação, ele evapora tão rápido que não dá tempo de atuar no vírus. Em contrapartida, se utilizar álcool de graduação menor, ele não é capaz de destruí-lo. Não utilize álcool combustível para esse fim. Além de ter uma graduação alcoólica alta e, portanto, alta taxa de evaporação, ele é prejudicial à saúde, pois pode conter outras substâncias nocivas. O detergente atua da mesma forma que o álcool 70% e tem a mesma eficácia. Portanto, reserve o álcool somente quando não tiver detergente e torneira disponíveis. Mas não deixe de limpar as mãos. É a melhor forma de prevenção.

Daniel Angelo – Ciência em Show